13.7.09

Duelo entre Inocentes e Rock Rocket




Maloca Recomenda : Amanhã, terça-feira, dia 14/07/2009, Edgard recebe em seu Circo os Inocentes e o Rock Rocket. Eles falam sobre o movimento punk, sobre a carreira, cantam alguns de seus sucessos e encerram o programa rivalizando em performances ao vivo de clássicos do rock, de Ramones a The Jam . No Multishow, a partir das 21h45.

O HOMEM VELHO

Flávia Viralobos e Caetano Veloso

O homem velho deixa a vida e morte para trás
Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais
O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais
O homem velho é o rei dos animais

A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol
As linhas do destino nas mãos a mão apagou
Ele já tem a alma saturada de poesia, soul e rock’n’roll
As coisas migram e ele serve de farol

A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve traz o olor fulgaz
Do sexo das meninas

Luz fria, seus cabelos têm tristeza de néon
Belezas, dores e alegrias passam sem um som
Eu vejo o homem velho rindo numa curva do caminho de Hebron
E ao seu olhar tudo que é cor muda de tom

Os filhos, filmes, ditos, livros como um vendaval
Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal
Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual
Já tem coragem de saber que é imortal

Caetano Veloso

11.7.09

INCONSISTÊNCIA


"Chove dento da alta fantasia." (Dante Alighieri)


Um temporal desaba sobre a garoa fina
A Terra vira aquela água
Tudo se desmilinguindo
O mar entre os rios afluindo
A Torre de Pisa escorrega sobre a Capela Sistina
Um alpinista se afoga no Aconcágua
Por baixo do Canal da Mancha, escafandristas nao vêem a luz do fim do túnel
Toda a engenharia do Japão em vão: maremoto, não terremoto
A Estátua da Liberdade bóia no Planeta dos Macacos
No Rio de Janeiro, nivelados por baixo flats e barracos
Cumpre-se a profecia do Anjo Exterminador de Bunuel
Vista assim do alto, a Terra azul fica feia na foto

(Sergio Viralobos, Marcos Prado e Thadeu W)

UNICIDADE


"Não é nada de espantar que, em meio a essa infinita quantidade de matéria em constante movimento e alteração, tenha havido a criação dos poucos animais, vegetais e minerais que conhecemos; como não é de espantar que em cem lances de dados ocorra uma parelha."
(Cyrano de Bergerac)

Todos por um

A verdade será uma
E já é muito
Todos dirão a mesma
Sobre o mesmo assunto
Nuances de sotaque
Nem em pensamento
A biodiversidade
Se acabará com o tempo

A vida não passará de um elemento
Afinal será inútil o amor
Só vamos viver
Até o fim do sofrimento
Nunca mais quero morrer de dor
E sobreviver

(Sergio Viralobos e Thadeu W)

INVISIBILIDADE


"O bom Deus está no detalhe." (Flaubert)

O Homem Remoto

A tela entrou pelo tubo
Apareceu como chuvisco no vídeo
A voz do fantasma gela o sangue do bandido
É tanta imagem que congela tudo
Videodrome pega melhor que suicídio
O zapping vai resolver todos os problemas do mundo
Realidade virtual é punheta à silício
A retina parece, não é, saco sem futuro
Toda essa visagem vai virar vida invisível
Explicando melhor, imagine um circuito
Multimídia como paisagem de fundo
Visto a olho nú pelos olhos em curto

(Sergio Viralobos e Marcos Prado)

ERRO

"Perdemos um tempo precioso seguindo uma pista absurda e passando ao lado da verdade sem suspeitá-la." (Proust)

PERTURBACAO ELEMENTAR

Na pior das hipóteses
O vazio do poder será determinante
O entendimento amigável, inimaginável
Todos os processos desencadeados
Todos os efeitos explosivos
Só luta pra trocar uma morte violenta por outra mais lenta
Desajustado o sistema de alimentação
O estado caótico tomará conta dos átomos
Anti-magnetismo na presença dos elétro-imãs
Seguido de black-outs nos curto circuitos
Micro-bússolas desorientadas apontando todas as direções

(Sergio Viralobos, Thadeu W e Marcos Prado)

LENTIDÃO


"O clássico que escreve sua tragédia observando certo número de regras que conhece é mais livre que o poeta que escreve o que lhe passa pela cabeça e é escravo de outras regras que ignora." (Raymond Queneau)

SONETO DA LENTIDÃO

Um nó no nô: "mais rápido" alguém
Exclama do teatro pra fora.
Por que tão lento quem antes da hora
Chegou como se não chegasse, hein ?

Se andar miúdo fosse barulho,
O Nelson Cavaquinho seria surdo.
E você, minha fã, querendo ou não,
Ouviria todas minhas músicas em baixa rotação.

Hoje só estátua tem um tempo pra pensar.
Passou em claro a noite do meu bem,
Ela não quer quem não decide na hora.

Você que acha depressa muito devagar,
Tenha dó de mim. Bem ou mal, sou seu refém:
É meu sangue que corre na sua espora.


Sergio Viralobos e Thadeu W

10.7.09

PESO


"Se o discorrer sobre um problema dificil fosse como um transporte de pesos, caso em que muitos cavalos podem transportar mais sacos de trigo do que um só cavalo, admitiria então que a pluralidade de discursos valesse mais que apenas um; mas o discorrer é como correr, e não como transportar, e um só cavalo árabe há de correr mais que cem cavalos frisios. (Galileu Galilei)

HOMEM DE FERRO !


Êxtase sob dureza!
Voltemos à Idade do Ferro !
Ferro ! Sobre ferro !
Nao haverá terra pra suportar o que peso !

Morte lenta a quem enferruja !
Abelhas dentro da armadura !
Merece chumbo a cultura !
Um homem se conhece pelo tamanho da ferradura !

Não haverá mais remédios !
Os belos serão os bélicos !
Elmos no lugar de cérebros !
O ferro velho tomará os cemitérios !

(Sergio Viralobos e Marcos Prado)

SEIS CONTRAPROPOSTAS PARA O PRÓXIMO MILÊNIO




Em algum ano da última década do século passado, eu, Marcos Prado e Thadeu W resolvemos fazer uma contradução das palestras de Calvino. Escrevemos seis poemas sobre os seguintes temas: Peso, Lentidão, Erro, Invisibilidade, Unicidade e Inconsistência, que achavámos mais de acordo com o século que se aproximava. Nosso espírito de porco estava certo outra vez.

SEIS PROPOSTAS PARA O PRÓXIMO MILÊNIO

Em Seis Propostas para o Próximo Milênio, Calvino reúne cinco conferências através das quais propunha a perenidade de determinados valores literários para o próximo milênio, listadas pelo autor na seguinte ordem: leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência. Contudo, o autor faleceu antes de escrever a última conferência.

A leveza, na concepção de Calvino, está relacionada a elementos diversos que permeiam textos literários, capazes de fazer com que o leitor vivencie esta sensação. O autor faz considerações sobre a construção textual sinalizando como sendo esses elementos a corrente filosófica, o ponto de vista, as ferramentas lingüísticas peculiares, a definição da idéia e a precisão na linguagem, visando estimular, em especial, a percepção. A leveza se manifesta no texto de Calvino através de metáforas que transmitem essa sugestão verbal. Assim, faz referências a autores diversos, como Cavalcanti e Ovídio, em busca de exemplos que façam com que o leitor imagine o quão necessário é a experiência de reunir tais instrumentos numa combinação capaz de alcançar a volatilidade da leveza, descrevendo-a como algo mais leve que uma nuvem, que uma pulverulência, uma espécie de campo de impulsos magnéticos (p. 27). Calvino ressalta ainda que para vivenciar a leveza é necessário conhecer a experiência do peso, saber o seu valor.
Cita três acepções diferentes para definir a leveza: a primeira seria um despojamento da linguagem que pudesse permitir aos significados uma consistência pouco densa. A segunda se relaciona com a narração de um raciocínio atravessado por itens que assegurem a abstração e, por fim, a formação de figuras visuais leves.

A Rapidez, tema da segunda conferência, questiona a duração, a conveniência em poupar o leitor de detalhes determinados em favor do ritmo, da lógica na narrativa. Calvino vê a rapidez como o nó de uma rede de correlações invisíveis (p. 47), a ferramenta essencial para a continuidade da narrativa, fazendo com que o leitor transite num campo de forças que envolve um liame verbal (que pode ser uma palavra que dê idéia de continuidade) e um liame narrativo (elemento que sustenta a narrativa numa relação lógica de causa e efeito). Existe aqui uma preocupação com a estrutura e o estilo a fim de alcançar força sugestiva, além da busca constante pela melhor maneira de trabalhar a relatividade do tempo, ora dilatado, ora contraído, ora linear, ora descontínuo. Convém analisar a relação entre velocidade física e velocidade mental em que o leitor imagina a estória.

A terceira conferência discute a Exatidão, que, como descreve o autor, possui três pontos de atenção: (1) a boa definição de um projeto de obra, (2) a formação de idéias visuais nítidas e (3) uma linguagem precisa, capaz de traduzir detalhes do imaginário. A exatidão seria a qualidade de empregar a linguagem a fim de aproximar-se das coisas de modo a transparecer o conteúdo que as coisas transmitem sem o recurso das palavras.

A Visibilidade está relacionada à processos imaginativos, à qualidade de expressar imagens, uma vez que, para Calvino, a imagem antecede o texto no processo criativo devido ao seu caráter polissêmico. Cabe ao escritor ordenar tais significados de modo a deixar translúcida a sua intenção e as possibilidades diversas de leituras que o texto carrega consigo. Trata-se de lançar um olhar sobre a relação entre a análise direta do mundo, o universo ilusório e o mundo simbólico transmitido pela cultura e o curso abstração - condensação - interiorização de uma experiência sensível.

A Multiplicidade, tema da última conferência, é apresentada como uma sugestão de observar o romance enquanto suporte enciclopédico, um hiper-romance no qual o conhecimento pode ser abordado como numa rede que enlaça fatos, saberes e sistemas reciprocamente condicionantes, fazendo do texto multíplice o espaço de diálogo entre vozes dissidentes, sujeitos particulares e visões de mundo divergentes num processo constante de reconfiguração, no qual o conhecimento deve ser pensado de maneira permeável e expansiva.

Fonte: www.uesc.br/icer/resenhas/alineresenhacalvino.htm

7.7.09

A BÍBLIA DE ROBERT CRUMB


Talvez o maior argumento anti-cristão seja a própria bíblia. Não pelos absurdos que propõe, nem pela duvidosa origem e forma como foi escrita. Quanto a isso existem diversos artigos capazes de nos dar boas razões para trocar ela de lugar da estante deixando-a do lado de obras como Alice no País das Maravilhas e Viagens de Gulliver. O fato é que capítulo á capítulo a Bíblia trás cenas de violência e depravação que seriam rotineiramente banidas de qualquer igreja evangélica.

Mas se as pessoas não tem coragem de encarar o que esta escrito, Robert Crumb teve. O gênio dos quadrinhos que ficou célebre com “Fritz, The Cat” fez sua versão ilustrada de Gênesis, o primeiro livro da bíblia (em outubro, sai a versão em português). O texto da King James Bible não foi alterado e as cenas são simples representações do que é narrado. Ainda assim, o resultado foram páginas e páginas de pornografia, guerras e comportamento eticamente questionável.

Crumb teve o cuidado de colocar no seu livro um aviso "Recomendada a supervisão de um adulto para crianças". Uma aviso pertinente que deveria ser colocado na capa de cada bíblia disponível por ai. Isso é claro, se os cristãos se incomodassem de realmente lê-las.

Nascido numa família carola, Crumb de vez em quando procura algum apoio em algumas passagens bíblicas, como Eclesiastes. Mas ele disse à New Yorker que não consegue encontrar nenhum significado espiritual no Gênesis: “É tudo muito primitivo”.

6.7.09

passe bem, meu bem

desde aquele dia
que você me abandonou
caído na rua
passando mal
vomitando
murmurando coisas

desconexas


idéias complexas
pululam acerca

da desagregação da matéria
composta de mucos

pólens partículas

tudo navegando

pelas vias aéreas


pior que o chute

foi o baita tapão
mais o cuspe
e o "até nunca mais,

coração"


Chico Cardoso

5.7.09

HORRORBILLY FEST NO JOKERS EM CURITIBA


Começa hoje, às 19 horas, no Jokers, a primeira edição da Horrorbilly Fest, em que serão apresentadas como atrações internacionais o trio inglês Slim Jim Phantom, a banda norte-americana BlitzKid e na escalação brasileira, os veteranos Ovos Presley.

Blitzkid
O Blitzkid é sem dúvida a mais importante banda de horrorpunk do novo milênio, considerados os herdeiros absolutos do trono ocupado pelo Misfits. Formada em 1997, na cidade americana de Bluefield (Virgínia), a banda que vem ao Brasil conta em sua formação com o lendário Dr. Chud, ex-baterista do Misfits, que gravou o disco que é considerado por muitos como o mais importante do Misfits, o American Psycho de 1997, além de outros três discos de sucesso na carreira da banda. Dr. Chud também participou do CD solo de Joey Ramone (Don't Worry About Me), gravando ao lado do mestre Joey a música 1969, cover de Iggy Pop & The Stoges.

Depois de tocar em todos os cantos do planeta e participar dos mais importantes festivais pelo mundo afora, como o Mera Luna, Rock My Ass, Endless Summer e até no festival de metal/hardcore Summer Breeze, no qual eles dividiram palco com Dark Tranquility e Soulfy em 2007, tocando para mais de 20 mil pessoas, chega a vez de o Brasil receber o show da banda que é formada por TB Monstrosity (guitarra/vocal), Argyle Goolsby (baixo/vocal) e Dr. Chud (bateria).

Slim Jim Phantom Trio
Slim Jim Phantom é o baterista original da lendária banda Stray Cats. Ao lado de seus eternos companheiros de banda Brian Setzer e Lee Rocker, ele foi o responsável por difundir em todo o planeta o movimento neo-rockabilly no começo dos anos 80.

Depois de mais de 25 anos de estrada com o Stray Cats e milhões de discos vendidos em sua carreira, Slim Jim Phantom continua inspirando e entusiasmando seus fãs pelo mundo afora, com o mesmo som, estilo e imagem que o consagraram nos anos de ouro do Stray Cats. Considerado por muitos como o baterista mais cool do rock 'n' roll, a influência de Slim Jim está presente na cena rock atual, com incontáveis bateristas imitando seu estilo pioneiro de tocar em pé.

Passados quase 20 anos desde a primeira (e única) vez que o Stray Cats esteve no Brasil, Slim Jim Phantom retorna ao nosso país para matar as saudades dos fãs, tocando clássicos do rockabilly, novas composições e clássicos do Stray Cats com os músicos Jimmy Rip (guitarrista que já tocou com Jerry Lee Lewis, Debbie Harry, Mick Jagger, Kid Creole, Tom Verlaine, entre outros) e Nixxx (baixista da lendária banda argentina Motorama).

MICRO FESTIVAL ALTERNATIVO NO HANGAR 110 EM SÃO PAULO

DEUS, UM DELÍRIO


Como um blog ateu até a medula, o Malocabilly não poderia deixar de registrar a presença de Richard Dawkins entre nós, mais exatamente no Flip - Festival Literário de Paraty. Autor do livro "Deus, Um Delírio", desde Nietzsche, provavelmente, que não se atacava Deus com tanta veemência. Nietzsche, há mais de um século, em O Anticristo, estava, conforme o título, mais preocupado com o cristianismo. Richard Dawkins mira e atira em todas as religiões, e usa a palavra "Deus" mais como uma alegoria. Ele defende que a fé religiosa (seja qual for a denominação) não é apenas uma ilusão inofensiva, mas um delírio nocivo do qual a sociedade precisa ser curada.
Segundo Dawkins, " jogar fora a religião não significa jogar fora a ética. Ética é algo completamente diferente. Qualquer um que disser que baseia sua ética na religião está quase certamente enganado. Ninguém tira seus conceitos morais da Bíblia, porque isso significaria ser a favor da escravidão, da opressão das mulheres, do apedrejamento de homossexuais etc. O que as pessoas fazem é selecionar versos da Bíblia que as agradam, mas a ética e a moral elas pegam de outro lugar. Muita gente também acredita que sem a religião todos se transformariam em pessoas más, que não haveria nada que lhes impedisse de praticar atos ruins. Se isso é verdade, essas pessoas não são realmente boas. Elas só são boas porque têm medo de serem punidas por Deus, e não acho que essa seja uma forma honrosa de bondade."
Seja bem-vindo ao Brasil, amigo !

NOTÍCIAS DA AMAZONIA


O surfista curitibano (!) Marcos Sifu bateu o recorde mundial de permanência sobre as ondas. Surfou por cinco horas sobre as ondas da pororoca do Rio Araguari, no Amapá.
A pororoca é um dos maiores espetáculos da natureza e acontece devido ao encontro das águas amazônicas com o mar, formando ondas de até 4 metros de altura e velocidade entre 30 e 50 km/hora. Ela invade os rios e destrói tudo que encontra pela frente.
Seu nome vem do termo poroc poroc, que significa "destruidor, grande estrondo" na língua dos índios do Baixo Amazonas. A mais longa onda atrai surfistas do mundo inteiro para bater o recorde de nosso surfista Sifu.

3.7.09

VIREI UM DEVASSO


Carrego um turbilhão no pensamento
Desde o exato dia em que te vi
Casada e com filho de outra parada
Você notou e me anotou no caderninho

Passei a obedecer teu mandamento
Se eu cantava lá você queria si
Mudou pra minha casa na calada
Da noite vinda do inferninho

Com umas meninas fugitivas do convento
Não dava pra chorar, então ri
Hoje há um harém na cama bagunçada
E choca o ovo o estranho no ninho

Sérgio Viralobos

2.7.09

a razão do porquê

se for pra ir eu vou

se é pra voltar, aqui já tô

moro em lugar nenhum

quando preciso, arranjo um


minha terra

é esse solo cor de anil

o peito em brasa

beija a brisa do brasil


tenho uma nêga macia

por causa dela

que eu faço poesia


Chico Cardoso e Edilson del Grossi

30.6.09

A CAPA BRANCA DA PLAYBOY PORTUGUESA

28.6.09

MALANDRÃO


O rei dos malandros é um otário (Madame Satã)

Diga se não é verdade
Quem é bom já nasce feito
E a cada minuto nasce um otário
São muitos corpos de desvantagem
Mas não existem empecilhos
Para o especialista em pegar passarinhos
Viva o rei da malandragem
Acende o fogo dormente
Enquanto assopra a massa quente
Como diz o vendedor de antiguidades
Quanto mais cara a peça
Mais fiada a conversa

Sérgio Viralobos

POESIA MALOQUEIRISTA


Não há nada de novo, o que há, é a acomodação simbólica de todas as classes artísticas, tanto da música, das artes plástica, da poesia, da literatura, etc. O artista está em decomposição junto com a massa.
Diferente do que a história mostra o que há hoje é a desconjunção dos artistas e a desordem ao traduzir uma forma contemporânea de realizações.
Não há um espírito de construção, uma vontade de mostrar o novo, mas sim um aglomerado de técnicas e manifestações deixadas como heranças de outras épocas onde os artistas deixaram obras- primas como testemunho.
O que quero dizer é que não há necessidade de sistemas estéticos para os criadores hoje em dia.
A urbanização junto com o meio de comunicação é a desordem posta ao homem que desordenado absorve conhecimentos diversos para suas representações. As obras de arte hoje, são criadas em um sistema estético mais ou menos consciente.
As influências levam o artista a construir o que lhe apetece com uma certa forma em um determinado momento, traduzindo as heranças deixadas nas obras dos artistas de outros períodos.
Se penso nesta trajetória que se toma no meio artístico hoje em dia, creio que caberia as seguintes formas para tornar mais plausível a forma de se construir o novo no contemporâneo:
Analisar o maior número possível das heranças deixadas por artistas nas obras concebidas e torná-las comestível à massa artística;
Fazer com que os traços novos alcançados pelo artista sejam compreendidos e explorados como novo;
Enfim, fazer com que as heranças sejam aplicadas como objeto de estudo para que a estética vista da obra obtenha o resultado do novo.
O C.A.I-MAL faz com que a aproximação desses novos artistas seja o meio de se ver as novas formas alcançadas na arte contemporânea.

Berimba de Jesus

26.6.09

JACKSON ONE


Não podia ser mais estranho
Com seu nariz de cartola
E fraque cheio de medalhas
Perdeu meio bilhão de dólares
Como quem chacoalha bebê na janela
Andava de frente pra trás sem sair do lugar
Casou com a própria filha do rei
Pra fundar uma dinastia de proveta
Comprou a obra dos cavaleiros da rainha
Por um capricho de menina mimada
E foi pra terra do nunca brincar de casinha
Daí pra última morada foi um passo de anfetamina

Sérgio Viralobos

DO SUBLIME AO BERRANTE


Zumbis, monstros intergaláticos e outros seres que habitam o mundo fantástico poderão ser vistos em São Paulo a partir desta quinta-feira (25), quando começa a primeira edição do SP Terror - Festival Internacional de Cinema Fantástico. Durante oito dias, serão apresentados 34 títulos, entre longas e curtas-metragens.
O festival quer ter como característica a diversidade. Nesta primeira edição, o SP Terror irá exibir títulos inéditos, como a ficção científica francesa "Eden Log", o inglês "Os Matadores de Vampiras Lésbicas" e o chileno "Os Descendentes", ao lado de obras consagradas, como "Golem", clássico do expressionismo alemão. Este filme do cinema mudo expressionista irá encerrar o festival, no dia 2 de julho, em uma exibição com acompanhamento ao vivo da música do guitarrista e compositor americano Gary Lucas.

"O SP Terror pretende criar uma vitrine eclética indo desde o cinema de arte ao totalmente trash, do sublime ao berrante", diz Betina Goldman, idealizadora e diretora do festival. 

Curtas produzidos na Catalunha terão uma mostra especial com oito trabalhos recentes. Além disso, o SP Terror contará com mostras competitivas internacional e iberoamericana. Neste último está o brasileiro "Mangue Negro", de Rodrigo Aragão, filme sobre zumbis que atacam uma comunidade na região de um manguezal. O trabalho de 2008 recebeu prêmios internacionais, como o Prêmio Audiência do Rojo Sangre, na Argentina, e ainda não foi lançado em circuito comercial.

Apesar do nome do festival se referir ao terror, a seleção abarca um grande leque de gêneros e subgêneros, indo da história de zumbis e vampiros a super-heróis. Um exemplo é "O Gigante do Japão", de Hitoshi Matsumoto. O filme sobre um japonês desleixado que se torna gigante para enfrentar monstros bizarros e vê sua popularidade cair deve provocar mais risos que sustos.

Fonte: EDILSON SAÇASHIMA, do UOL

24.6.09

jogados na vida


virando copas

os ases da imaginação

metem o pau no coração

e na alma a espada

que já não corta nada


com a malemolência e a lisergia do amor

desencadeiam segredos

de sujeitos além da adjetivação

seguindo o fraseado da oração

de joelhos, em busca da providência divina

ou seja lá o que for


Edilson del Grossi e Chico Cardoso

23.6.09

LOKI



Me preparei todo para o sucesso
Do dedo do pé até o último fio de cabelo
Da pose de elvis até à queda do clash

O início foi como um gole de expresso
A cara mal parava no espelho
Amigos filando de praxe

O tempo me deu um esculacho
Sobrou a parede e o murro
Vi estrelas até cair

Agora o grito é rouco. É baixo
Quase que um sussurro
É preciso querer ouvir

Sérgio Viralobos

22.6.09

O SHOW MAIS VAZIO DO ANO


Vem aí aquele que promete ser o show mais vazio que já passou por terras cariocas. O cheiro de fiasco no ar não é pessimismo, é pura matemática. No dia 19 de julho, a cantora Cat Power fará escala no Rio de Janeiro e tocará no HSBC Arena!

Pra quem é de fora do Rio e não se ligou no absurdo, o HSBC Arena (foto) foi o palco do show do REM totalmente vazio, do Bob Dylan meia-boca e por aí vai. O lugar tem capacidade para, no mínimo, umas 15.000 pessoas e, sem querer ser chato, Cat Power já teria dificuldade de lotar um Canecão, que tem capacidade de público dez vezes menor.

Se esse show rolasse no Circo Voador, tenho certeza que Chan Marshall sairia do Rio com uma impressão melhor. Mas o HSBC Arena é grande demais para o público dela aqui em terras cariocas. Até o maior otimista deve concordar comigo.

20.6.09

MALOCA RECOMENDA PARA AMANHÃ

AQUI ME TENS DE REGRESSO


madrugada

você, certeza,

está enchendo o cu de cerveja,

num bar qualquer,

acompanhada

os anjos da noite aparecem do nada

e sempre tem um expert

com uma teoria nova pra te contar

e você vai acreditar

em tudo

tantos astros no céu

não me iludo

para uma noite dessas

tenho mais é que tirar o chapéu

mas essa dor

mas esse ciúme

sou um péssimo pagador

de promessas

eu sei

acho que já vi esse filme

estamos ok

você aí

eu aqui

à mão

um livro

e não

o veneno

estamos melhores do que antes

.

mas como um mundo tão pequeno

pode nos guardar tão distantes?

.

Comedor de Ranho

.

.

MALOCA RECOMENDA PARA HOJE